:: 7 Days A Week ::
a nerdorama's spin-off

5.5.08

Fudoh - The New Generation (Gokudô sengokushi: Fudô) - 1996 - Takashi Miike

Os filmes do Takashi Miike são sinônimos de extrema diversão, violência, sexo, sangue... E quando digo sangue, não me refiro a algumas gotas, mas sim a litros e litros, jorrando de forma absurdamente risível e divertida.

Para acabar com uma disputa o líder da gangue Nioh mata um de seus próprios filhos. O mais novo decide vingar a morte do irmão e organiza sua própria gangue de adolescentes assassinos para destruir a organizão do pai. E devo dizer, os membros da gangue do filho, Riki Fudoh, são personagens super legais com caracteristicas únicas. Colegiais pompoaristas que atiram dardos pela buceta, um gigante com pau de elefante, crianças de 4 anos que carregam armas na mochila... O filme todo tem uma gama de personagens bizarros e interessantes, chegando até ao hermafroditismo.

Fudoh não é nenhuma obra-prima , mas uma prova de que é possível fazer filmes legais com um orçamento baixo.

Nota 5 de 6.

Velvet Goldmine - 1998 - Dir. Todd Haynes

Um repórter maricas - interpretado pelo Christian Bale - é designado para descobrir o que aconteceu com o glam rocker Brian Slade após forjar sua própria morte nos anos 70. Mas cara, tanto faz... Porque o tal do Brian Slade é um personagem chato pra caralho, e totalmente entediante, que sofre do mesmo mal de todo personagem de filme "cult" sobre personas pops do mundo underground, a falta de conteúdo somada à uma rebedia sem causa. "Uau, ele chupa picas e come mulheres. Nossa, ele é um artista à frente do seu tempo".

Brian Slade interpretado pelo antipático Jonathan Rhys Meyers é um personagem vagamente baseado em algumas "estrelas" do glam rock, mas principalmente em David Bowie; assim como o ótimo Ewan McGregor interpreta Curt Wild, personagem inspirado em Iggy Pop, e com certeza o personagem mais legal de todo o filme. Mas cinema de referência se não é bem feito fica uma coisa solta, sem sentido, porque sem conhecer a piada anterior a atual não tem o menor sentido ou graça.

Resumirei tudo o que quero dizer com um trecho de uma resenha postada no IMDB por um usuário do site : "well, i think it's pretty clear that i'm the demographic for this movie--i'm the right age, i'm a fag, and i love both punk and glitter. but my straight boyfriend adored it too."

Nota 3 de 6. Ewan McGregor cantando TV Eye é legal demais.

16.1.08

God Of War II - Playstation 2

God Of War II é simplesmente o último grande jogo para Playstation 2. Devem sair outros jogos para a plataforma nos próximos anos mas nada vai ser tão importante ou tão exclusivo quanto esse jogo. A sequência do sucesso de 2005 segue a mesma fórmula, mesmo assim, o gosto não é de mais do mesmo. A mecânica do jogo não sofreu quase nenhuma modificação - para o alivio dos fãs - mas há algumas novidades, como a habilidade de planar que Kratos "adquire" em um certo ponto do jogo. Mas a grande novidade são as sequências de voô, em que Kratos deve matar os inimigos alados e seguir por um caminho pré-definido até certo lugar. Na verdade, isso não é uma inovação na história dos jogos - Rebel Assault está aí pra quem quiser conferir - mas God Of War faz bonito até nisso. Pode não ser inovador mas é muito legal.

A história do jogo começa não muito após o final do primeiro. Após Kratos se vingar do antigo deus da guerra, Ares, toma-lhe então seu posto no Monte Olimpo. Apesar de todo o seu poder, Kratos ainda está insatisfeito e decide comandar seu exército espartano para tomar toda terra possível à força. Os deuseus do Olimpo discordam de suas ações e após ser traído por Athena e quase morto por Zeus, Kratos é resgatado por Gaia, a Mãe-Terra dos Titãs, uma raça que teve seu poder no Olimpo tomado a força pelos atuais deuses. Ela explica a Kratos que seu destino pode ser modificado se ele conseguir alcançar o templo das Irmãs do Destino. O que se segue é um maravilhoso épico, cheio de encontros com figuras conhecidas da mitologia grega.

Visualmente falando o jogo continua "tão belo quanto uma pintura". Acho incrível o que os programadores da Sony ainda conseguem espremer do processador do Playstation 2. Os personagens são cheios de detalhes, os cenários são absurdamente gigantes e tudo funciona com uma fluídez incrível, sem precisar de pausas para carregar durante o jogo.

Nota 6 de 6. E lembre-se de matar os inimigos dando Brutal Kill.

26.7.07

Uma Garota Irresistível (Factory Girl) - 2006 - Dir. George Hickenlooper

Antes de assistir o filme eu não sabia quem era Edie Sedgwick, e imagino que cinebiografias não são o tipo de material confiável para extrair esse tipo de informação. Eu tive simplesmente a impressão de que ela era uma patricinha rebelde, estuprada pelo pai, que foi internada numa clínica para não encher mais o saco e que se achava doidona porque andava com uns artistas. Olha como o filme te faz se importar com a personagem principal... Quem interpreta esse papel é Sienna Miller, a ex do Jude Law. E cara, o talento dela não passa disso... De ser a ex de um famoso, que por sorte é parecida com a Edie. O filme resumidamente é 1 hora e meia de personagens que falam muito e não dizem nada. Discursos moralistas sobre a vida, a arte e como as pessoas devem ser... Coisa de babaca. E os personagens não têm evolução, têm saltos de desenvolvimento. E chega... Resenha merda pra filme merda.

Nota 1 de 6. Povo artista, chupa.

15.7.07

Bubba Ho-tep - 2002 - Dir. Don Coscarelli

Elvis Presley não morreu. Na verdade, ele trocou de lugar com um sósia e seguiu sua vida com o nome de Sebastian Haff, fazendo shows imitando Elvis. Era Elvis, fingindo ser um sósia, fingindo ser Elvis, sacou? Até o dia ele quebrou a bacia e ficou em coma por um tempo. Agora, velho e abandonado, vive no mesmo asilo aonde está o presidente John F. Kennedy. Ele também não morreu, mas não conto o que lhe aconteceu. Eles juntam forças para acabar com uma múmia que assombra o asilo, e chupa a alma dos velhinhos. Se essa premissa não te deixou curioso, ajuda saber que quem interpreta o Rei é ninguém menos que Bruce Campbell? E devo dizer que o cara está nada menos do que excelente no filme.

Original e muito bem produzido, o filme é um tapa na cara de quem imagina que essa premissa é sinônimo de idiotice. Por mais besta que seja esse adjetivo, Bubba Ho-tep é muito legal. É hilário, é sensivel e com todos os aspectos técnicos impecáveis. Te juro que não esperava esse nível de qualidade na produção, afinal de contas estamos falando de um filme que foi apresentado apenas em alguns festivais de cinema e então foi direto para o DVD. Talvez eu deva mudar minha idéia do que seja um filme B.

Nota 6 de 6. "Help the aged, don't just put them in a home. Can't have much fun when they're on their own"

13.7.07

Uma Noite Alucinante (Evil Dead II: Dead By Dawn) - 1987 - Dir. Sam Raimi

O segundo filme da trilogia não é um remake, e sim uma sequência. Dito isso explico que o que aconteceu é que como os direitos do primeiro filme pertenciam a outra produtora, Sam Raimi teve de achar outro jeito de recapitular a história, optando assim por filmar novamente os momentos mais importantes do primeiro filme apenas com Ash e sua namorada. Depois desses 10 primeiros minutos é que a parte "sequência" da história começa.

Evil Dead II fica muito além do primeiro filme no quesito horror e nojeiras, que aqui dão lugar ao humor. Mas nem por isso é um filme ruim. A trilogia inteira é além do medíocre. Em cada filme há estilos diferentes; No primeiro o horror predomina, no segundo a coisa é um pouco mais exagerada, mais Tex Avery, mais Três Patetas. Há uma cena em que Ash atira na parede tentando acertar sua mão amputada e jorra litros (muitos litros) de sangue em sua cara. Isso não é nojento, mas tão exagerado e engraçado que parece coisa de desenho animado mesmo. No terceiro filme o humor é muito mais predominante e o horror dá lugar às animações em stop-motion ao estilo Ray Harryhausen.

O que pesa aqui é muito mais o humor do espectador do que a qualidade da trilogia, algo inquestionável de tão absurdamente foda e inventivo.

Aqui é possível ver as marcas registradas de Sam Raimi, como os movimentos e ângulos de câmera, e a edição do filme. Exemplo disso é a cena em que Ash está colocando a motoserra no lugar de sua mão amputada. Difícil assistir essa cena e não lembrar da cirurgia do Dr. Octopus em Homem-Aranha 2.


Apesar de todos os elogios para o filme, a qualidade do DVD em que o filme foi lançado por aqui, pela Universal Home Video, é uma MERDA. Pra começar, simplesmente não há nenhum extra. Nenhuma trivia, notas de produção ou qualquer merda que o valha que seja pra dizer que tem um “extra”. A imagem do filme está ok e o som abafado (5.1, hein?), mas nada disso se compara à tradução do filme. É algo tão porco que parece brincadeira. Não consigo imaginar como alguém é contratado para traduzir um filme e cometer um erro tão retardado de traduzir, por exemplo, “join us” como “você está louca”. Meu deus, a impressão que tive é que passaram o texto do filme em algum tradutor online, colaram sem qualquer tipo de revisão e mandaram pra produtora. “Esses putos não devem conferir mesmo. É grana no nosso bolso.” Fiz questão de anotar o nome dos babacas que dizem ter traduzido o filme. Jusmar Gomes e Susie F. Staudt. Favor não contrata-los novamente, para nada. Nem para limpar chão de banheiro devem prestar. A dublagem está ok, pelo menos não tem erros de tradução retardados, mas todos os personagens ficaram com uma voz sem personalidade alguma.

O pior de tudo : Estão cobrando R$29,90 nesse pedaço de merda, sem extras e com uma tradução retardada. Se você tiver coragem de comprar isso aproveita e bota fogo no restante do seu dinheiro.

Nota 5 de 6. As árvores não estupram mais, apenas arrastam.

7.7.07

Plano-sequência

Há alguns posts eu comentei sobre as cenas em plano-sequência de Full Metal Yakuza e me confundi todo dizendo que eram cenas de "take único". Na verdade, as cenas em plano-sequencia são filmadas e ensaiadas muitas vezes até acertar todos os detalhes, marcações e posições. Rolou uma pequena confusão mental de take e plano. Aproveitando o assunto deixo duas cenas para exemplificar e acabar com toda a confusão que gerei.

A primeira cena é do tão falado O Protetor (The Protector), o filme mais recente do Tony Jaa. Não assisti ao filme ainda, mas a cena é absurda e dá para entender sem prévio conhecimento da história. São quase 4 minutos do cara subindo escadas (do que me pareceu ser um hotel), descendo a porrada nos vilões.

Assista : http://www.youtube.com/watch?v=K06wDn3XsZE

Quem souber inglês dê uma lida nas informações postadas ao lado do vídeo. É incrível saber que os caras filmaram a cena 5 vezes, e a cada vez era necessário arrumar e consertar o cenário para filmar novamente. Mas o trabalho compensou.

O segundo vídeo é a cena que tentei dar como exemplo no texto do Full Metal Yakuza, e sem dúvidas, a cena de plano-sequência do meu coração.



Para mim, a briga do corredor em Oldboy é incrível pelos fatores "realidade" e intensidade dramática. Oh Dae-su não luta Kung Fu contra os inimigos, é pura e simples porradaria. Ele bate, cansa, apanha... Tudo isso num plano-sequência de apenas 3 minutos. Foda, por falta de palavra melhor.

Assista : http://www.youtube.com/watch?v=GwmJE3q7jPI

5.7.07

King Kong vs Godzilla (Kingu Kongu tai Gojira) - 1962 - Dir. Ishirô Honda

Quando aluguei esse filme (simplesmente por curiosidade) eu já tinha em mente que não podia esperar nada de excepcional, mas ai descobri que o Ishirô Honda é o criador e diretor do primeiro filme do Godzilla. Mesmo nunca tendo assistido ao primeiro filme, criei uma certa esperança. E que decepção.

Eu entendo muito bem que o filme deve ter sido feito com uma verba mínima, e o problema dos "efeitos especiais" é compreensível levando isso em conta, e entendo também que esse é um filme trash. Mas nada disso foi um problema se comparado com a edição do filme, ou os diálogos em japonês, que quando dublados em inglês não tiveram o mínimo tratamento para dar algum sentido ao filme; mas o ponto fraco do filme é pura e simplesmente sua chatice. Me esforçando o máximo possível consegui manter a atenção no filme por 40 minutos. Depois disso eu só conseguia pensar "que merda, nenhuma brincadeira vale tanto tempo pra ser assistida". Fãs de filmes trash que me perdoem, mas se for pra perder tempo vendo merda, que seja pelo menos uma merda divertida que nem os filmes do Michael Moore.

E o pior de tudo, para dar um golpe de machadada no pescoço e acabar com esse monstro de uma vez : Nem a luta entre o King Kong e Godzilla é interessante.

Nota 0,5 de 6. Quero 1 hora e meia da minha vida de volta.

Cassino Royale (Casino Royale) - 2006 - Dir. Martin Campbell

Há muito tempo os filmes do espião inglês James Bond já não têm muita graça, afinal de contas são 40 anos de franquia. E mesmo que Pierce Brosnan em GoldenEye (pelo mesmo diretor) tenha injetado uma dose de esperança aos fãs, os três filmes posteriores são medíocres o bastante para provar que nada tinha mudado na situação. A única coisa que se poderia esperar era a escolha mais óbvia, uma reinvenção da série. Se você conseguir aceitar a proposta de um novo começo para a série nos dias atuais vai se divertir com um ótimo filme, e sem dúvidas o melhor filme do James Bond desde muito tempo. Aproveitando que tudo se passa num mundo contemporâneo há muitas tendências atuais no filme; Mensagens SMS como uma peça chave do filme, uma sequência inteira de Parkour e um clima mais realista, como os dos filmes de Michael Mann.

Daniel Craig é quem interpreta o espião, recém promovido a agente 00. É interessante notar as mudanças na personalidade do personagem, moldadas com êxito pelo ator no decorrer do filme, mostrando em pequenos detalhes o Bond que reconhecemos. Uma pena que sua feiura permaneça o filme inteiro. Alias Eva Green, a bond girl do filme, não fica atrás no quesito feiura. Talvez tenha sido uma escolha do diretor; "Vou escolher um elenco feio pra manter o filme mais real". Gosto de imaginar isso. Mas na questão de desenvolvimento do personagem ela fica bem atrás de seu parceiro feioso.




Le Chiffre, banqueiro de organizações terroristas perde o dinheiro de seus clientes, e organiza um torneio de Poker para recuperar a grana perdida antes que seja morto. O ótimo ator dinamarquês Mads Mikkelsen é quem interpreta o vilão fodão, que por um problema no canal lacrimal chora sangue. Enfim, a primeira missão de Bond como 007 é participar desse torneio e fazer com que Le Chiffre se entregue à MI6.

O trabalho com a câmera é excelente, principalmente na cena em que Bond está envenenado. Mas a sequência inicial do filme, em preto e branco é algo que podia ter sido melhor elaborado. O trabalho feito com as luzes e sombras está uma porcaria, e mesmo sabendo que essa sequência foi filmada em fotogramas originalmente em preto e branco a sensação é de que foi tudo filmado em colorido e passado para preto e branco no computador.

Nota 5 de 6. "Bartender: Shaken or stirred? James Bond: Do I look like I give a damn?"